2025: o ano em que a Bahia enfrentou o tarifaço — e cresceu
A história da economia baiana em um ano de guerra comercial, contada em 7 capítulos e meia dúzia de gráficos.
A Bahia cresceu acima do Brasil
O PIB baiano fechou 2025 em R$536,4 bilhões — crescimento real de 2,7%, acima da média nacional de 2,3%. Um incremento de R$53,8 bilhões em um ano marcado por turbulência global. Mas esse número esconde uma história muito mais dramática.
O ano do tarifaço
Em abril, os EUA anunciaram tarifas sobre produtos brasileiros; em agosto, elas chegaram a 50%. Apenas um terço da pauta baiana para o mercado americano estava na lista de exceções. A fruticultura do Vale do São Francisco e a cadeia do cacau — 40 mil trabalhadores — entraram na zona de risco.
O petróleo despencou… e renasceu
O setor de petróleo e derivados foi o epicentro do choque: as vendas caíram 80% em maio e o volume exportado recuou 95,7% em agosto — a pior marca da série. Mas, aproveitando a condição de item isento e novos mercados (Panamá, Colômbia), o setor fechou o último bimestre com salto de 23% em volume e 11,4% em valor.
O ouro brilhou na incerteza
Enquanto o mundo tremia, o ouro de Jacobina, Barrocas e Santaluz virou ativo de refúgio: a onça troy saltou de US$3.086 para US$4.670. O Canadá se consolidou como 2º maior destino das exportações baianas (+41,9%), sem precisar embarcar um quilo a mais.
O mapa do comércio foi redesenhado
Os EUA compraram 24,1% menos da Bahia. A China seguiu líder, mas pagando menos pela mesma soja. Os vencedores do novo mapa: Canadá (ouro, +41,9%) e Panamá (óleo combustível, +60,2%), que saltou da 11ª para a 4ª posição entre os destinos.
E mesmo assim: superávit recorde
Com importações caindo mais que as exportações (-12,7% vs. -1,85%), o superávit comercial da Bahia mais que dobrou: de US$848 milhões para US$2,15 bilhões. Resiliência via antecipação de embarques, novos mercados e câmbio.
Mais gente trabalhando
O contingente de desocupados caiu 18,8% — de 765 mil para 621 mil pessoas — enquanto a ocupação cresceu 3,4%. A ressalva: a informalidade também cresceu (homens +4,6%, mulheres +6,5%), inclusive entre trabalhadores com ensino superior (+42,6%).
E 2026 começa com sinais mistos
Exportações em alta (+6,23%) e safra projetada em +5,5% convivem com queda real das receitas estaduais, déficit orçamentário crescente e indústria em retração. A história continua no Relatório 2026.1.