Análise da Conjuntura
da Economia Baiana
Relatórios do NEC sobre política fiscal, commodities, indústria, comércio exterior e mercado de trabalho do Estado da Bahia.
Conjuntura com o fechamento de 2025 — PIB de R$536,4 bi (+2,7%) — e o primeiro trimestre de 2026: fiscal do 1º bimestre, comércio exterior pós-tarifaço, mercado de trabalho 2024/2025, indústria e safra 2026.
Conjuntura do 2T2025 com dados até setembro de 2025 — crescimento do PIB (+2,7% no semestre), análise de basis e preços agrícolas, desempenho industrial e balanço comercial.
Conjuntura do 1T2025 com análise fiscal, commodities agrícolas (1T2025), balanço da safra 2024/2025, indústria, comércio exterior e mercado de trabalho.
Sobre o NEC — Economia Baiana
A Pasta de Economia Baiana do Núcleo de Estudos Conjunturais (NEC) da Faculdade de Economia da UFBA tem como propósito central analisar e divulgar os principais aspectos da dinâmica econômica do estado da Bahia.
Por meio de uma abordagem voltada para a economia regional, o grupo desenvolve pesquisas sistemáticas nas áreas de política fiscal, commodities, indústria, comércio exterior e trabalho e rendimento, objetivando compreender as especificidades e os desafios particulares da economia baiana.
Esta edição (2026.1) apresenta o fechamento do ano de 2025 e a conjuntura do primeiro trimestre de 2026. O PIB baiano totalizou R$536,4 bilhões em 2025 (+2,7%), acima da média nacional (+2,3%). O período analisado foi marcado pelo impacto do tarifaço americano sobre as exportações, pela melhora do mercado de trabalho (desocupação -18,8%) e por um início de 2026 com queda real de receitas e despesas estaduais e desaceleração industrial.
Equipe do Relatório 2026.1
Desempenho Fiscal da Bahia
PIB de 2025 e desempenho fiscal do 1º bimestre de 2026 — crescimento acima da média nacional, mas início de exercício com queda real de receitas e despesas. Autores: Eduardo Maynard e Alanna Souza
Variação dos Setores do PIB — 4T2025 vs. 4T2024
Crescimento liderado por Serviços (+16,89%) e Indústria (+11,23%). A Agropecuária recuou 12,42%, reduzindo sua participação no PIB de 4,81% para 3,75%. Serviços consolidam a estrutura terciária da economia: 59,11% → 61,47% de participação.
Balanço Orçamentário — 2024 vs. 2025 (valores reais)
Em 2025, a receita arrecadada cresceu 5,1% em termos reais (R$81,9bi) e as despesas pagas avançaram 4,3% (R$78,9bi), ampliando o superávit de R$2,3bi para R$3bi. Já o 1B2026 registrou déficit real de ~R$123mi — expansão de 315,8% frente ao déficit de R$29mi do 1B2025.
Receitas e Despesas — 1B2026 vs. 1B2025
Principal fonte de receita apresentou queda real de 0,85% no 1B2026, puxando a contração do agregado.
Crescimento real de 1,41% atenuou o recuo. Destaques: Receitas Patrimoniais (+11,85%) e Contribuições (+10,97%).
Retração real de 61,57% — principal fator de queda da receita corrente no bimestre.
Composição das Despesas Correntes — Participação % (1B2025 vs. 1B2026)
A Previdência Social ampliou sua participação de 17,46% para 18,89% e consolidou-se como principal despesa corrente. Segurança Pública teve o maior ganho relativo (10,03% → 11,77%). Saúde e Educação perderam 1,4 e 1,5 p.p., e a forte queda de Encargos Especiais (8,72% → 4,69%) e Transportes (1,97% → 0,74%) pode pressionar os próximos bimestres.
Agricultura Baiana — 1T2026
A conjuntura agrícola do 1T2026 combinou clima favorável, cotações pouco atrativas e custos elevados. Ainda assim, a safra deve crescer 5,5% na produção total, puxada pela soja. Autores: Pietro Costa e Henrique Moura
Chuvas Bem Distribuídas (300–600mm)
Volume expressivo de chuvas entre janeiro e março nas principais regiões produtoras favoreceu o enchimento de grãos da soja no MATOPIBA e reduziu o risco de abortamento floral, com impacto positivo sobre o potencial produtivo.
Excesso de Umidade em Março
A permanência das chuvas em março reduziu as operações de colheita nas lavouras em estágio final. Produtores temem perdas pontuais de produtividade e de qualidade dos grãos pelo excesso de umidade.
Quadro 1 — Variação Estimada da Safra 2026 vs. 2025 (LSPALSPALevantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE — estimativas mensais de safra (área, produção e rendimento). São projeções, não a contagem final. de março)
| Cultura | Produção | Área | Rendimento | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Soja | +4.5% | +1.8% | +2.6% | Clima favorável no MATOPIBA; colheita do sequeiro em 60% no fim de março |
| Algodão | -13.0% | -7.3% | -6.1% | Estoques elevados e fraca demanda internacional derrubaram os preços |
| Milho 1ª safra | +31.0% | 0% | +31.0% | Substituição de lavouras de algodão; área ainda não atualizada pelo IBGE |
| Milho 2ª safra | -6.3% | 0% | -14.6% | Atraso no plantio e histórico de baixa precipitação no período |
| Café | -13.9% | -4.8% | -9.5% | Desgaste fisiológico pós-safra e bienalidade negativa no extremo-oeste |
| Cacau | +5.3% | 0% | +5.3% | 125,4 mil t projetadas — 40,3% da produção nacional |
Colheita irrigada finalizada abaixo das estimativas iniciais; sequeiro com 60% colhido e bom desempenho. Cenário exige monitoramento intensivo (CONAB).
1ª safra projetada +31% com produtores trocando algodão por milho. 2ª safra pessimista: rendimento -14,6% e produção -6,3%.
Produção projetada em 125,4 mil t (+5,3%), 40,3% do total nacional. Rendimento de 265 kg/ha ainda muito abaixo do Pará (900 kg/ha) pela vassoura-de-bruxa.
Indústria Baiana — Set/2025 a Fev/2026
Após crescer 3,75% entre setembro e novembro de 2025, a produção industrial baiana entrou em desaceleração acentuada: queda de 10,5% em dezembro e primeiro bimestre de 2026 em terreno negativo. Autora: Luiza Souza Brandão
O 4T2025 registrou a produção industrial mais baixa do ano (-2% vs. 2024), em paralelo à desaceleração nacional (-0,5%). A perda de dinamismo está associada à taxa de juros elevada — que drena a capacidade de investimento das empresas e o poder de compra das famílias — e às incertezas do protecionismo americano. No acumulado de 12 meses, a Bahia passou de +1,4% em novembro para -1,3% em fevereiro de 2026.
Produção Física Industrial — Variação % vs. Mesmo Mês do Ano Anterior (Set/25–Fev/26)
Variações positivas entre setembro e novembro (índice de 98,7 para 102,4, +3,75%), seguidas de forte queda em dezembro (-9,4%) e retração anual de -10,5% em janeiro e -4,1% em fevereiro de 2026.
Variação Acumulada em 12 Meses — Fev/2026 (%)
A Bahia cresceu acima das médias do Nordeste e do Brasil no final de 2025 (pico de +1,4% em novembro), mas a retração na virada do ano foi mais severa que a regional: -1% em janeiro e -1,3% em fevereiro, enquanto o Brasil manteve alta acumulada de 0,3%.
Variação por Segmento — Fev/2026 vs. Fev/2025 (%)
Alimentícios (+10,9%, óleo refinado de soja) e extrativas (+16,1%) puxam os ganhos. Máquinas elétricas (-41,5%), couro/calçados (-30,9%) e coque/derivados do petróleo (-9,5%, menor produção de diesel e gasolina) lideram as quedas.
Top Municípios por Valor Adicionado Industrial
| Pos. | 2002 | 2010 | 2021 |
|---|---|---|---|
| 1 | Camaçari | Salvador | Camaçari |
| 2 | Salvador | Camaçari | São Francisco do Conde |
| 3 | Paulo Afonso | S. F. do Conde | Salvador |
| 4 | Simões Filho | Feira de Santana | Feira de Santana |
| 5 | Candeias | Paulo Afonso | Candeias |
| 9 | Ilhéus | Candeias | Luís Eduardo Magalhães |
| 19 | Esplanada | Luís E. Magalhães | Barreiras |
Tendência 2026: O setor de coque/derivados do petróleo, pilar da transformação em 2025 (+5,1% acumulado), iniciou trajetória de queda em novembro. Máquinas elétricas despencou 56,3% em dezembro após crescer 11,5% no consolidado de 2025.
Comércio Exterior da Bahia — 2025 e 1T2026
O ano de 2025 fechou com superávit de US$2,15 bi apesar do tarifaçotarifaçoPacote de tarifas de importação impostas pelos EUA em 2025 (até 50% sobre produtos brasileiros), que redesenhou os fluxos de comércio exterior da Bahia. americano. No 1T2026, a Bahia manteve a 9ª posição nacional, com exportações +6,23% e importações +9,9%. Autores: Bruno Moura e Douglas Mota
Em 2025, as exportações baianas caíram 1,85% e as importações recuaram 12,7%, elevando o superávit para US$2,15 bi (2024: US$847,8 mi). A Bahia caiu do 9º para o 10º lugar entre os exportadores do país. O petróleo chegou a recuar 95,7% em volume em agosto após a tarifa de 50%, mas fechou o último bimestre com +11,4% em valor, aproveitando a condição de item isento e novos mercados. As exportações para os EUA caíram 24,1%; o ouro para o Canadá (+41,9%) funcionou como amortecedor.
Saldo da Balança Comercial — 2024 vs. 2025 (US$ milhões)
Superávit anual mais que dobrou: de US$847,8 mi (2024) para US$2,15 bi (2025), com queda das importações (-12,7%) superior à das exportações (-1,85%).
Principais Produtos Exportados — 1T2026
Ouro (+72%) e petróleo (+17,2% em valor) sustentaram o trimestre; a base exportadora cresceu com 8 novos municípios, e o Top 4 responde por 55,4% do valor total.
Barril saltou de US$64,50 para US$102,86 (Ormuz). Novos mercados: Panamá e Colômbia — apesar de -84,6% em volume em março.
Ativo de refúgio: onça troy de US$3.086 para US$4.670. Beneficia Jacobina, Barrocas e Santaluz.
Mineração baiana iniciou 2026 produzindo 28,6% a mais em minérios que no ano anterior.
Alta dos custos (diesel e fertilizantes) e retração da demanda global; sinal de estabilidade em março.
Municípios em Destaque — Variação Exportações 1T2026 (valor)
Jacobina subiu à 3ª posição impulsionada pelo ouro, superando Camaçari e Mucuri. São Francisco do Conde (+17,1%) foi o destaque do Top 4 com óleo refinado para Panamá e China. Luís E. Magalhães teve queda sazonal entre safras. Barreiras e São Desidério retomaram soja e algodão para a China.
Principais Destinos — 2024 vs. 2025 (US$ mi)
Importações por Bloco Econômico — 1T2026
Óleos brutos de petróleo lideram (~31% dos principais produtos), seguidos de naftas para o polo de Camaçari. Destaque: importação de veículos chineses saltou mais de 1.200%.
A Economia Baiana no Mapa
Os municípios que protagonizam os relatórios do NEC — do ouro de Jacobina à soja de Luís Eduardo Magalhães, do refino de São Francisco do Conde ao cacau de Ilhéus. Passe o mouse para identificar e clique para ler a síntese.
Mercado de Trabalho na Bahia — 2024 vs. 2025
Melhora relevante entre 2024 e 2025: ocupação +3,4% e desocupação -18,8%. A evolução, porém, foi heterogênea — a informalidadeinformalidadeTrabalhadores sem vínculos formais: empregados sem carteira assinada, autônomos não registrados etc. Está associada a menor proteção social e renda mais instável. cresceu e as desigualdades de gênero, cor e escolaridade persistem. Autores: Abhel Abreu e Rafael Carvalho
Rendimento Médio por Sexo — 2024 vs. 2025 (R$)
Homens: R$2.338 (+1,4%). Mulheres: R$2.014 (-0,6%) — diferença de 16,1% a favor dos homens, refletindo diferenças estruturais de inserção e remuneração.
Informalidade por Sexo — 2024 vs. 2025 (mil pessoas)
Homens +4,6% (1.985 → 2.076 mil); mulheres +6,5% (1.281 → 1.364 mil). Mesmo com o mercado aquecido, a qualidade dos vínculos segue como desafio central.
Variação do Emprego por Setor — 2025 vs. 2024 (%)
Serviços lideram: informação/comunicação/financeiras (+16,5%, +89 mil) e setor público/serviços sociais (+7,3%, +85 mil). Indústria geral (-9,6%) e alojamento/alimentação (-11,5%) em retração.
Variação do Rendimento por Setor — 2025 vs. 2024 (%)
Maiores rendimentos seguem no setor público (R$3.502; -1,9%) e os menores nos serviços domésticos (R$910; +1%). Outros serviços (+22,8%) e comércio (+4,7%) tiveram os maiores ganhos.
Rendimento médio 2025: brancos R$3.056 (+0,2%); pardos R$2.086 (+0,6%); pretos R$1.844 (-0,5%). Informalidade cresceu entre pretos (+4,3%) e brancos (+9,7%).
Superior completo: R$4.654 (-5,3%) vs. fundamental incompleto: R$1.290. Alerta: a informalidade entre pessoas com ensino superior completo cresceu 42,6%.
Concentrada nos grupos de 40–59 anos (1.300 mil; +2,3%) e 25–39 anos (1.147 mil; +7,8%). Entre jovens de 14–17 anos houve queda de 5,3%.
Síntese e Considerações Finais
O presente relatório analisou o fechamento de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, evidenciando uma economia baiana que cresceu acima da média nacional em 2025 (PIB de R$536,4 bi, +2,7%), com melhora expressiva do mercado de trabalho e superávit orçamentário ampliado para R$3 bilhões, mas que iniciou 2026 em ritmo claramente mais moderado.
O tarifaço americano produziu um impacto assimétrico ao longo de 2025: o petróleo chegou a recuar 95,7% em volume em agosto, mas a antecipação de embarques, a lista de exceções e a abertura de novos mercados (Panamá, Colômbia, Comunidade Andina +130%) preservaram o superávit comercial de US$2,15 bilhões. Já o primeiro trimestre de 2026 combina sinais opostos: exportações em alta (+6,23%) e safra projetada em +5,5%, ao lado de queda real de receitas estaduais, déficit orçamentário crescente e indústria em retração.
No mercado de trabalho, a queda de 18,8% na desocupação coexiste com o avanço da informalidade — inclusive entre trabalhadores com ensino superior (+42,6%) — e com desigualdades persistentes de gênero, cor e escolaridade. O NEC reafirma que pensar a Bahia a partir da Bahia é condição necessária para produzir conhecimento comprometido com o desenvolvimento equitativo e territorialmente equilibrado.
Política Fiscal
- PIB 2025: R$536,4 bi (+2,7%) — acima da média nacional (+2,3%); Serviços chegam a 61,47% do PIB
- Balanço de 2025 com superávit real de R$3 bi (receita +5,1%, despesa +4,3%)
- 1B2026: receita corrente -2,55% e despesas -2,73% em termos reais (deflator IPCA 3,81%)
- Déficit real de R$123 mi no 1B2026 (+315,8% vs. 1B2025) — início de exercício desafiador
Commodities
- Safra 2026 projetada em +5,5%, puxada pela soja (+4,5%) com clima favorável (300–600mm)
- Algodão -13%: estoques elevados e preços pouco atrativos levaram à troca por milho (1ª safra +31%)
- Café -13,9%: bienalidade negativa e desgaste fisiológico das lavouras
- Cacau +5,3% (125,4 mil t; 40,3% do nacional), mas rendimento de 265 kg/ha segue muito abaixo do Pará
Indústria
- Alta de 3,75% no índice entre set e nov/2025, seguida de queda de 10,5% em dezembro
- 4T2025 com a produção mais baixa do ano (-2%); juros altos e protecionismo americano pesaram
- 1º bimestre de 2026 negativo: -10,5% em janeiro e -4,1% em fevereiro (vs. ano anterior)
- Acumulado 12 meses: Bahia -1,3% em fev/26, pior que Nordeste (-0,1%) e Brasil (+0,3%)
Comércio Exterior
- 2025 fechou com superávit de US$2,15 bi apesar do tarifaço; Bahia caiu ao 10º lugar entre exportadores
- EUA -24,1% em valor; Canadá +41,9% (ouro) e Panamá +60,2% como novos amortecedores
- 1T2026: exportações +6,23% e importações +9,9%; 9ª posição nacional mantida
- Ouro +72% e petróleo +17,2% em valor no 1T2026; veículos chineses importados +1.200%
Trabalho e Rendimento
- Ocupação +3,4% (6.511 mil) e desocupação -18,8% (621 mil) entre 2024 e 2025
- Informalidade cresceu: homens +4,6%, mulheres +6,5% — inclusive entre os com ensino superior (+42,6%)
- Gap de gênero de 16,1%: homens R$2.338 (+1,4%) vs. mulheres R$2.014 (-0,6%)
- Serviços puxam o emprego (info/financeiras +16,5%); indústria geral -9,6%
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